8.3.06

Igualzinho



Este faz-me lembrar alguns homens que conheço, que andam sempre com "a bola" na boca; mas este ao menos é esperto e brinca com ela, os outros enervam-se em vez de se divertir...

7.3.06

É só pedir...



(clique para ampliar)

6.3.06

Hás-de lá chegar, hás-de...



É assim que me sinto: a tentar apagar um terrível incêndio, com um pequeno balde...se alguém souber que me elucide:já se cumpriram 42 anos de idade, tens experiência em várias profissões, tens uma memória "de elefante" como todos lhe chamam; sabes como ninguém encontrar a abordagem perfeita, seja para que situação for, ou que tipo de pessoa tiveres de te deparar. Sabes com perfeição organizar, ordenar, programar qualquer agenda. Tens o sentido de responsabilidade que a idade te trouxe, que não tinhas tão entranhada até aos 35; és de uma pontualidade Britânica que chega a ser doentia.
Tens um sentido de humor refinado, tens 99% do dia, uma cara sorridente e estás sempre bem disposta e a dizer "graçolas", dás-te bem com toda a gente e apesar de brincares "em" trabalho, não brincas "com" o trabalho. Seja o que for que te peçam, só ouvirão da tua boca:" vamos fazer o impossível, que o possível já foi feito"...refiram-te o palheiro, que a agulha aparecerá.
E isto não se pode colocar num Curriculum, e não consigo encontrar forma de sublinhar estas qualidades, sem parecer presunçosa, estas "qualidades" foram-me encontradas e constatadas, por quem comigo trabalhou anos e anos, fosse patrão ou colega.
Então porque é que os anúncios que encontro, pedem sempre pessoas, com Licenciaturas, muitos anos de experiência, mas...idade máxima : 35 anos! 35 anos? quem é que consegue tanta experiência, formação, flexibilidade e polivalência, num tão curto espaço de tempo? Ou serei eu que estou baralhada e tenho andado fora deste mundo?
Eu só quero um trabalho, nem sequer peço um: emprego...

4.3.06

A pedido de várias famílias



Estas fotos não são da Manel, são tão só, um exemplo da degradação física - já que a psíquica não é fotografável - que em 4 anos ou menos, um ser humano pode alcançar. Apesar de a narrativa poder continuar, dou-a por terminada aqui, pois determinados pormenores poderiam ferir pela sua crueza; concerteza que foi a Tribunal e por aí adiante, e acontecerem-lhe muitas outras peripécias, que eventualmente vos trarei mais tarde, tudo isto antes de ser encontrada morta dentro de um poço, sem chegar a completar 30 anos de vida...

Capítulo IV

Os guardas estavam à espera que eu adormecesse como havia dito o médico, e eu: nada...falava pelos cotovelos, cravava cigarros e abri de imediato uma conta a crédito no bar dos guardas (eu tinha uma lata descomunal), disse-lhe que quando esta baralhada se resolvesse eu tinha dinheiro em casa e 6 caixas de Whisky que lhes ofereceria, não esqueçam que eu estava de mini saia, muito mini mesmo, e apesar de estar “agarrada” era muito jeitosa, sobretudo de pernas, bem torneadas e sem gordura, com um tornozelo fino e o facto de eles serem GNR, não conseguia sobrepor-se ao facto de serem homens e terem instintos. Eles queriam é que eu dormisse, mas eu sempre a falar e a contar anedotas, pois os tais fármacos só conseguiram aliviar-me a ressaca, e manter-me as ideias mais limpas.
Por volta das 3h da manhã, eles tinham de ir fazer uma ronda na qual, passavam por uma padaria, estavam a comentar que iria ser uma seca, pois além da dita padaria onde podiam comer uns bolinhos, a ronda não era nada interessante; pedi-lhes de imediato que me trouxessem uns croissants que estava cheia de fome, pois não me tinham dado jantar. E eles trouxeram mesmo, e uns pães com chouriço e tudo.
O dia seguinte, passei-o sem grandes sobressaltos, só mais uma ida ao hospital para mais um cocktail, desta vez ainda mais reforçado devido à ineficácia do anterior; o Joka no meio da ressaca, conseguiu encontrar forças para pedir para o deixarem lavar à mangueirada a cela, dado ter que dormir lá mais uma noite, e deixaram-no retirar todos os colchões e cobertores, o que foi uma benção, apesar de ele ter de dormir no cimento, sempre era preferível ao pivete anterior.
Os guardas acharam que não havia grande crise se eu passasse mais uma noite lá no bar, e eu também não, sempre tinha tabaco e tudo à borla, até os tais pães com chouriço a meio da noite, à pala da tal “conta” que me haviam aberto.

Capítulo V

Na segunda noite, os guardas eram os mesmos, tinham aquele turno durante o fim-de-semana, até eram uns gajos fixes, embora burros, como era apanágio da nossa GNR.
Começaram a contar-me rusgas e detenções, dado que eu não dormia, nem com um cocktail molotov, como dizia um deles...
No meio da conversa, diz um deles: “ ainda antes de ontem apanhei um magano, com umas “palhinhas” a vender, dei-lhe uns chapadões, tirei-lhas e mandei-o embora, até nem sou um gajo muito mau.”
E então perguntei eu: “ como justificas as palhinhas, sem a detenção?”, ao que ele respondeu: “estão ali na gaveta da mesa do chefe, para ele fazer o que lhe der na gana com elas, quando vier na segunda-feira”. A minha cabeça de repente, parecia um computador a fazer equações: A+B=C...estratégia, qual a melhor estratégia? Pensava eu; fui pela estratégia do amor próprio. Ninguém gosta de ser tomado por parvo, nem fazer figuras tristes, e então desatei a incitá-lo: “ Oh, se calhar o gajo estava a vender Aspegic e o desgraçado ainda levou no maço”, e ele retorquia: “Nada disso, aquilo é droga, eu sei que é”
- Como é que sabes provaste-a?
- Não, claro que não, mas vê-se que é meio acastanhada
- Isso não quer dizer pescoço, retorqui...os gajos andam para aí a vender Ben-u-ron frito, que é castanho, e quando o teu chefe vir, até se passa...
O gajo começou a coçar a cabeça e a pensar, de repente levantou-se e foi ao escritório do chefe e aparece com 3 palhinhas que lança para cima da mesa, ao mesmo tempo que diz:
- Vês como é droga?
- Eu não vejo nada, só 3 palhinhas com qualquer coisa lá dentro e pelo aspecto granulado, de droga só tem mesmo o nome que lhe deste.
Ele começa a ficar inquieto e abre uma, nesse entretanto já eu tinha queimado uma prata de cigarro, enquanto lhe dizia:
- Já tiramos isso a limpo, é só queimar, agarro a palhinha e despejo-a na prata e dou-lhe fogo por baixo. Nem precisei de tubo, era só aspirar pela boca e nariz e até pelos olhos se conseguisse, tal era a avidez. Era pó, não muito bom, mas era. E eu dizia-lhe:
- Deixa ver melhor (depois de ter queimado tudo) dizia-lhe:
- Isto são comprimidos carago
- Não me digas, dizia ele, será que as outras também?
- É o mais provável, mas já agora, vamos ver.
E fiz o mesmo às outras duas, com tal rapidez que nem tiveram tempo de pensar, e já tinha fumado aquilo tudo, quando de repente um deles acorda e diz:
- E agora pá, o chefe?
- Então, o chefe nem chegou a saber de nada e livraste-te de um raspanete no mínimo, por andares a espantar a caça, disse-lhe eu.
- Ai de ti que digas a alguém o que se passou aqui, nem que tenha de dar a volta ao mundo, limpo-te o sarampo, estejas onde estiveres, dizia-me ele.
Mas naquela altura eu já não queria saber de nada, o que me importava era que não tinha ressaca e podia finalmente dormir...quando vieram com os pãezinhos de chouriço, já eu estava na outra dimensão onde tudo é rosa, azul e lilás, e a vida é cheia de sorrisos.

3.3.06

Para todos vocês meus meninos, eis o Capítulo III

Tenham calma que só faltam mais dois, eh!eh!...

Capítulo III

Lá fomos nós para a esquadra, com uma ressaca filha da puta, e uma acusação de tentativa de burla e falsificação, e para cúmulo era sábado de manhã...
O Joka não falava de tão mal que estava, eu a fazer-me de forte e depois de ter dado umas voltas à carola, decidi que iria dar-me como culpada, (pois eu não sabia conduzir e ele é que tinha o carro, se alguém deveria ser libertado era ele, achava eu)dizendo que o havia enganado, que ele não sabia de nada e só me tinha feito o favor de ir levantar o vale, etc. etc. o problema é que o Juiz, só voltaria na segunda-feira de manhã, até lá teríamos de aguardar em prisão preventiva.
Aquilo era uma esquadrazita sem jeito nenhum, só com uma cela e eles perante dois detidos de sexo diferente, teriam de mandar um para outro centro de detenção numa Vila próxima. Começaram por me deter a mim lá, levaram-me para a tal cela que, estivera a ser ocupada durante 3 dias, por 6 pretos traficantes que eles apanharam nas obras; bem, nem imaginam como estava aquilo, não havia casa de banho, só uns colchões de esponja e uns cobertores, nem janela nem nada, só mesmo a porta de ferro. Os cabrões dos pretos tinham cagado e mijado e limpado o cú aos cobertores, mal fecharam a porta eu ia morrendo sufocada; é indescritível o cheiro no meio daquele negrume, se normalmente já nos falta o ar, então a ressacar pior ainda, parecia que estavam a espremer-me os pulmões. Desatei de imediato a dar murros na porta pois aquilo ficava numa cave e os agentes estavam no andar de cima, e como eu me tinha assumido como toxicodependente, não tinha que disfarçar nada, o Joka é que tinha, pois era suposto ele não o ser. Como pareciam não ouvir, deixei de parte o nojo e deitei-me no chão, a dar pontapés na porta; quando aparece um guarda que abriu a porta e eu se estava mal, fiz que estava pior ainda, fingi que não conseguia falar e sustive a respiração até ficar meia roxa, e o guarda ficou aflito e disse aos colegas: “Ó pá, esta está mal, tem de ir já para o hospital” (que por acaso era quase em frente), e como eu não me mexia, só arfava e esticava os braços numa atitude de desespero, ele agarrou-me ao colo e levou-me às urgências. Lá chegados, tivemos prioridade como é óbvio, lá ouvi o GNR explicar que eu era tóxica e precisava de qualquer coisa para aliviar, ouço o médico dizer: “Vamos dar-lhe um cocktail de fármacos que a vai pôr a dormir a noite inteira, tem de a levar amparada, pois vai fazer efeito muito rapidamente.”
Lá fui de novo para o Posto meia “apupinada”, no entretanto já tinham colocado na cela o Joka, desgraçado, quando me apercebi até tive pena dele...não havia Jipe para me levar à outra cadeia, já eram para aí umas 10 horas da noite, e eles decidem que eu iria passar a noite no bar dos guardas, onde estavam sempre 3 de serviço e havia uns bancos corridos ao longo da parede.
De repente, ouço um bater em metal, era o Joka a fazer o mesmo que eu, aos pontapés à porta, mas como não tinha a desculpa de ser toxicodependente, desceram 5 Guardas que tinham acabado o turno, para lhe amaciar os ânimos...deram-lhe um “enfardamento” que o desgraçado nem mais um pio deu...

(continua)

Continuação

Especialmente para a Fatyly e para o Peciscas, que pelos vistos foram os únicos que tiveram paciência para ler.

Capítulo II

Tínhamos o carro e no porta luvas, uns módulos de cheques de um assalto anterior, a uma garagem de reparações auto, muito longe dali.
Fomos de imediato comprar cenouras o mais gordas possível, pois como já expliquei o Joka tinha habilidade com as mãos, e fez carimbos da garagem a quem pertenciam os cheques, perfeitinhos por sinal, e com um rabisco por cima, aceitavam em qualquer loja.
Lá fomos nós a cadeias de hipermercados onde houvessem electrodomésticos, roupa (ficámos sem nada)- o desespero era tal que até apresentava o meu BI, estava-me a cagar para tudo - para depois ir aos pretos trocar por pó. Lá arranjei umas roupitas de adolescente que era o que havia, só consegui um conjunto saia e blusa, nas “Confecções Arame”, que visitávamos nas vivendas durante a noite.
Vesti-me à Lady, e fomos comprar uns relógios Tissot e Ferrari para ganhar mais umas coroas.
Os cheques estavam a acabar-se, o casal que tinha ido connosco, foi para casa com o rabo entre as pernas, só é giro porque ele andava sempre de cabedal e ar de mau, e armas, e ficou sem uma faca tipo Rambo, que o “armário” lhe tirou, ameaçando-o com uma gravata Colombiana. Ainda tentámos recuperar o pó, o Joka tinha uma lata que só visto, conseguiu marcar encontro com os gajos num café, mas viemos de mãos a abanar, com burros é o que dá...armado em campeão o Joka foi procurar o gajo à terra dele, mas foi corrido a tiros de caçadeira pelo pai do artista, que não era muito diferente do filho, era mais tipo “roupeiro”.
Lá fomos vivendo aos caídos por lá, a dormir no carro, ou em cima de cartões em prédios embargados, sempre alvo de rusgas pontuais; aquilo eram verdadeiros labirintos, só se viam olhos a brilhar, não havia água nem luz, o cheiro era fétido a urina e outros dejectos.
Até que o Joka tem mais uma das suas ideias brilhantes: vai-se a uma Estação dos CTT, manda-se um vale Telegráfico para um de nós no valor de 3.000$00 (ainda era em escudos), com destino a outro lado, levanta-se no dia seguinte, mas só o aviso se for um posto informatizado; depois trata-se de colocar um 1, à frente do três e um “e” no fim , no extenso do Três, fazes treze...
Naquela altura havia poucos postos por informatizar, só mesmo nas terreolas menos turísticas, e lá fizemos o dito; correu bem, tínhamos descoberto a pólvora...a merda era que só dava 10.000$00 de cada vez, e então tínhamos de aproveitar bem o tempo em que não estávamos a ressacar, para arranjar mais dinheiro, não havia descanso, a nossa praia era feita nos parques de estacionamento das praias mais populares, à procura de algum carro mal fechado, ou nos Aparthotéis à espera de alguma oportunidade.
Uma manhã, estávamos estacionados num desses que têm as varandas quase a rasar os relvados e janelas baixas. O Joka viu uma janelita aberta, que pelo tamanho, devia ser da casa de banho, e “tunga” entrou de cabeça, pois entretanto haviamo-nos apercebido que os camones tinham saído. Às tantas vejo o Joka a abrir a janela da varanda e a sair, e cumprimentar o jardineiro que entretanto chegara e andava a regar, com a maior descontracção, e entrou de novo e demorou-se um bocado. Às tantas sai ele, pela varanda e de mãos vazias...diz que começou a fazer as malas dos gajos, era só roupa praticamente, quando se deu conta que a porta estava trancada e não conseguia sair por lá, deixou-lhes as malinhas feitas e veio-se embora; imagino a cara dos camones quando se depararam com aquilo...
Um dia o Joka estava a dormir que nem um urso em hibernação, quando dormia, nem baldes de água resultavam, nunca vi ninguém assim, sentava-o na cama, falava comigo e continuava a dormir. Conclusão, acordou com uma valente ressaca, danado para ir comprar pó, mas eu estava precisamente a acordá-lo para irmos trocar o vale, e ainda tínhamos de procurar onde, pois ali à volta era tudo informatizado, que eu já tinha andado a “micar”, e o atrasado nem liga ao que digo e como os levantamentos eram feitos em meu nome, levou-me o BI para levantar, mas claro que eles iam ver logo, eu saí do carro e comecei a disfarçar, ele estava a demorar demasiado tempo, quando vejo chegar um Jipe da GNR e um cabrão a apontar para mim à porta dos correios, e eu a descer rua abaixo a fingir que não via, de mini saia que quase se me via o rabo, quando sinto uma mão no ombro: “Dª Maria Manuel?”, sim respondi, “faça favor de nos acompanhar”. Mais uma vez: fodeu-se!!
(continua)

1.3.06

Estórias de vida...

Vou contar-vos conforme havia dito, mais uma estória, ou várias numa só, como queiram; a Manel foi alguém que eu conheci e de quem acompanhei mais ou menos o percurso em várias fases da sua vida, e de quem fui confidente muitas vezes, pois ela confiava em muito pouca gente, bem como poucos confiavam nela. A Manel já morreu, como acontece em muitos casos similares, morreu jovem, mas as suas palavras ficaram gravadas cá dentro, e ela dizia muitas vezes: “se as pessoas soubessem o que eu passo, o que eu sofro com isto, será que não me estenderiam a mão?”. Eu estendi por várias vezes, umas ela não aceitou, outras, dizia que era melhor não, que não queria enganar-me como fazia com os outros e perder a única amiga que tinha, eu sei que ela não se importaria que eu a escrevesse.
Vou optar por contá-la em Capítulos por ser algo longa.

Capítulo I

Chamava-se Maria Manuel, mas todos a tratavam simplesmente por: Manel.
A Manel era espevitadota nos seus 26 anos, já tinha passado por muita coisa no meio em que se movia, sabia sempre onde e quem tinha as melhores “cenas”, isto quando não era ela própria a tê-las por meio de algum traficante de fora, caído do céu sem conhecer quase ninguém. Ela tinha jeito, convencia-os sempre que não era uma dealer de risco, afinal até era mulher e conhecia toda a gente, e além do mais o seu aspecto sempre impecável, desviava qualquer suspeita, e realmente o que viam não era comum: uma “janada” com tão bom aspecto, bem vestida e bem falante.
Mas como sempre, a Manel foi-se afundando mais e mais, num vício insaciável até perder tudo e ganhar o desprezo da família, dos conhecidos que enganava à primeira oportunidade, como é costume quando se percorre essa estrada.
O Joka, mais conhecido por Cagalhão Saltitante, devido ao seu andar peculiar e com uma destreza de mãos para fechaduras e afins, fora do comum, é o nosso outro personagem central.
A Manel e o Joka conheciam-se desde os tempos do Liceu, pois ele era mais velho uns 3 anos, mas namorava uma colega dela e passava lá a vida. Durante muitos anos os seus caminhos não se cruzaram, ele trabalhara muitos anos no estrangeiro, mas não fora só dinheiro que ele trouxera de lá, veio também “agarrado” ao pó.
E foi por essa razão que os seus caminhos se voltaram a cruzar e num dia em que ela já não sabia o que fazer, ou para onde ir, no meio de uma ressaca de “criar bicho”, como ela costumava dizer, o Joka apareceu e tirou-lhe os arrepios e perguntou-lhe se não queria ir com ele até ao Algarve, “fazer-se à vida”...não, não era prostituir-se, era roubar, falsificar e enganar, a ela não lhe parecia tão grave...
Foram juntos com outro casal de dealers, que iam numa de passar férias, pois o Joka já lá havia estado e estava junto com outro gajo numa casa modelo de uma urbanização inacabada, na qual o autorizaram a morar; mas o que nós não sabíamos, era que o Joka fez merda quando lá esteve na semana anterior, ou então o chavalo teve galo...
(passo a contar a estória na primeira pessoa, como ela me foi contada para alterar o mínimo possível e a memória das suas palavras não me traia tão facilmente)
Mal chegamos lá fomos direitos ao apartamento e por lá ficámos um bocado, de repente tocam à porta e o moço da casa foi abrir, quando lhe dão de imediato um encontrão e um soco no estômago, e entram um gajo com cara de ave de rapina, magrito mas com muito mau feitio e sobretudo, burro que nem uma porta; o outro era tipo armário, p’raí 1,80m de altura, por 0,90m de largura e por sinal, também burro que nem uma carroça. Gente burra é do mais perigoso que há, se juntarmos a isso uma propensão inata para a violência, que já tinha ferido 4 polícias e morto outro, metido nas drogas sem saber o que aquilo era, e sempre acompanhado pelo fuínha que tinha a filha da putice entranhada no sangue, eram a fome e a vontade de comer, juntas.
O Joka tinha saído para fazer não sei o quê, e eles não saiam de lá sem “falar” com ele...
Queriam acertar-lhe o passo, pois tinha vendido uma cena qualquer a um primo do “armário” e o gajo a dar o caldo, ou tocou algum nervo ou aquilo era merda mesmo, e o gajo ficou com o braço preso, incapaz de fazer um manguito para o resto da vida...
Como diria o brasileiro: fodeu-se cara!...começaram a virar a casa de pantanas à procura de pó ou dinheiro, o que quer que fosse; os desgraçados que tinham ido connosco, ficaram logo sem as gramas que levavam para as férias e ainda levaram uns chapadões.
Entretanto o Joka tinha topado o carro dos gajos à porta, e dá de frosques claro, o pouco mais de 1,60m e o corpo franzino, determinavam a técnica de ataque, que neste caso era: a fuga...
E nós lá dentro, fodidos sem pó e a ressacar, já ali estávamos há 3 horas quando o fuínha descobre um spray que o Joka tinha no saco da roupa, (que eles levaram toda) daqueles de defesa pessoal que fazem arder os olhos e a garganta, e desata a borrifar-me aquilo para a cara, para lhes dizer onde estava o Joka, facto do qual eu não tinha a mínima ideia.
Por fim lá aparece o Joka e tenta falar com o par de bestas, mas em resposta só recebe murros e chapadas, para além de termos ficado sem nenhuma roupa, sem pó e com uma ressaca do tamanho de uma casa.

(continua)

28.2.06

Mais uma para descontrair



Dois amigos discutem formas de fazer amor:
- E sexo a Rodeio? Já experimentaste?
- Sexo a Rodeio?! Não... como é?
- Pões-te em cima da tua mulher, começas a fazer amor, e segredas-lhe
ao ouvido: "Esse teu perfume, é igual ao da minha secretária!".
- E depois?
- E depois tentas manter-te em cima dela, pelo menos durante cinco
segundos...

26.2.06

Para descontrair...



Um gajo vai a uma Pizzaria agarrado a 2 gajas:
- Duas pizzas fach'avor!
Pergunta o empregado:
- São familiares?
- Não, são putas, mas tão cheias de fome!!!

Brincadeiras de péssimo gosto...

Acabei de retirar o post anterior, pois afinal e ainda bem, tudo não tinha passado de uma brincadeira de péssimo gosto.
Não se brinca com os sentimentos das pessoas, isso é imperdoável e os motivos de quem o fez, não podem de forma alguma justificar tal ignomínia!!!

24.2.06

Fechou-se mais um ciclo



Ao fim de 6 anos de empenho, preocupações e cansaços nunca reconhecidos. Agora é tempo de fazer uma pausa e seguir em frente, quem sabe o meu caminho não será assim...é que: podem tirar-nos tudo, menos o sonho e a imaginação!

23.2.06

Eu nem acredito...



Fui despedida hoje, e não faço a mínima ideia porquê...

22.2.06

A mana pirou-se

mas não sem antes, me deixar um repto a mim e a outros três desgraçados...
Então cá vai:

Quatro filmes que posso ver vezes sem conta:
1. Pulp fiction.
2. 7 pecados mortais.
3. Aeroplano
4. 48 horas

Quatro sítios onde vivi:
1. Coimbra
2. Maienfeld (Schweiz)
3. Beniganin
4. Denia


Quatro séries televisivas que não perco:
1. Hitchcock
2. Sexo e a cidade
3. Alô alô
4. CSI (quando dava)

Quatro sítios onde estive de férias:
1. Amsterdam
2. Marrocos
3. Sevilha
4. Galiza

Quatro dos meus pratos preferidos:
1. Feijoada
2. Sardinhadas
3. bacalhau mexido com couves e batatas
4. polvo grelhado com migas

Quatro Websites que visito diariamente:
1. E-mail
2. In my secret life
3. stressless
4. meteorologia

Quatro sítios onde gostaria de estar agora:
1. Amsterdam
2. Candam
3. Barcelona
4. Marrocos

Quatro bloggers que desafio a fazer este questionário:
1. Katraponga
2. Elipse
3. Patioba
4. Heliasta

Saem dois brindes



Para a mesa do Pé de Meias e da Lima! E o brinde é: um porta-chaves moeda para carrinhos de supermercado...

21.2.06

Quem adivinhar esta, ganha um brinde...



O pai do padre é o único filho do pai do João.O que é que o João é ao
padre?

20.2.06

Com a inspiração deste Mister


(clique no título)

Que por tantas vezes me fez recordar o Mercado Velho de Barcelona em plenas Ramblas, porque não conheço o Bolhão.
Infelizmente quando o visitei tinha ido em trabalho e nem me passou pela cabeça levar máquina fotográfica, o que lamentei especialmente neste sítio magnífico, que é o mercado, com a vivacidade dos nuestros hermanos, que é muito semelhante à nossa, e por vezes até, mais exuberante. Assim, roubei uma foto, como gostaria de ter tirado quando lá estive, o que também já foi há muitos anos, quase 10; já que não posso visitá-lo tão cedo, revisito os lugares da memória...

19.2.06

Noite de tempestade



Este sábado como é hábito, dado que no anterior tinha ficado em Coimbra, ao fim da tarde, toca a preparar as coisas para ir até à quinta e como o tempo estava mau, com muito vento e chuva, decidimos levar uma catana e um serrote, que também lá iriam ser precisos, para podar algumas árvores e arbustos. A comédia começou por volta das 18 horas, em que se abateu sobre a cidade uma tempestade e pêras, de tal maneira, que não conseguíamos percorrer o metro e meio que nos separava do carro, sem ficarmos completamente encharcados, quanto mais prepará-lo com a manta para a cadela, e colocar as coisas na mala; como tal, tivemos de aguardar que a bátega abrandasse.
Eram quase 18.30 quando conseguimos sair de casa, sempre numa velocidade moderada, pois o vento abanava o carro de tal maneira, que era difícil conduzir direito; passámos o IC6, e a Venda da Serra cada vez chovia mais e com vento, os relâmpagos tornavam a noite em dia. Á saída da Catraia do Mouronho, vemos uns farolins a piscar à nossa frente, eram 3 carros parados frente a um pinheiro enorme, mas enorme mesmo, que havia caído e cortava a estrada e as bermas completamente, devia ter caído há poucos minutos pois havia muito trânsito e para estarem só 3 carros, é porque fora recente, nem pensámos 2 vezes, cortá-lo era impossível com a nossa ferramenta, e os Bombeiros ainda deviam demorar; meia volta e toca a apanhar a 1ª estrada de fuga, uma secundária rumo a Arganil, onde a meio do percurso apanharíamos a outra que liga a Côja e ao Piódão. Mal entrámos na estrada, apercebemo-nos que era perigosamente bordejada de árvores que abanavam furiosamente, e muito estreita e estava cheia de pedaços de ramos das árvores e mato e cascas de eucalipto, e aqui e ali era atravessada por rios de água que desciam os montes. Quase chegados ao entroncamento, deparamo-nos com outra árvore no meio da estrada, mas já lá estavam 2 homens (desgraçados, nem sei como se mantinham em pé, com tanto vento) a tirar uns galhos da berma, para que o trânsito pudesse fluir, para mais tarde a cortarem e retirarem, conseguimos passar e apanhar a tal estrada rumo a Côja, é uma estrada muito antiga e sem qualquer sinalização, daquelas que são mesmo só para quem lá mora e conhece, mas lá fomos guiados pelo sentido de orientação, chovia tanto, tanto, uma coisa absolutamente descomunal, não se conseguia ver 1 metro à frente do carro, a estrada era negra e sem qualquer marcação, e era quando se via, pois na maior parte dos sítios não passava de um rio, cheio de paus e ramos e todo o tipo de mato, em furiosa torrente. Quando a chuva abrandava e os relâmpagos iluminavam tudo à volta, era algo do outro mundo: as árvores pareciam tomadas de um transe epiléptico, tipo Vodoo e era incrível como não se arrancavam do chão, tamanha era a fúria do vento.
Percorremos assim, mais ou menos 15 Km, e fomos dar novamente à Nac.17, já perto de Gândara de Espariz, ou seja: o que seriam 3 Km de boa estrada, transformou-se em 15 de inferno, adiante...
Liguei à minha mãe para a tranquilizar pois ela estava lá sozinha e sei que tem medo de trovoadas, e para avisar do sucedido e do atraso, ela estava aflitíssima quase a chorar, a pedir-me para ter cuidado e vir devagar, a luz tinha faltado e lá o tempo estava igual.
Continuámos até chegar à Venda da Esperança, onde nos deparamos com carros parados e outros , a fazer inversão de marcha; outro pinheiro enorme caído, a tapar qualquer passagem; toca a virar para Covas e tentar encontrar uma qualquer ligação às Vendas, escusado será dizer que as placas ali, também não abundavam e pior, não havia luz, não tínhamos pontos de referência que nos conduzissem na direcção certa, lá nos deparámos com um cruzamento no meio de uma aldeia, que tinha um Sinal de sentido proibido à porta de uma casa, onde não havia estrada nenhuma, e uma que seguia pelo meio das casas, mas que nem alcatroada era, continuamos por aí, pois uma placa dizia: Galizes, e aí fomos sempre por essa estrada cheia de regueiras e pedras e riachos de água, mas finalmente lá chegamos a Galizes e às Vendas de Galizes, num raio de Km não havia electricidade, só se via o Hotel de Aldeia das Dez, pois deviam ter algum gerador de emergência.
Tranquilizei uma vez mais a minha mãe e duas horas depois de termos saído, para uma viagem que costuma demorar 1 hora, lá chegamos ao destino. A minha mãe estava assustada e os cães também, pois a cadela teima em estar cá fora, mas quando começou a ver, a taça do comer dela a percorrer um voo, rumo à leira de baixo e o balde a esvoaçar e a aterrar uns 50 metros mais à frente, e para cúmulo vem um cesto de verga a voar a largar luvas que lá tinha dentro, deve ter pensado melhor e deixou-se vir para dentro com o filho.
A minha Nika lá foi tomar o seu banho na poça, no meio da tempestade para refrescar...é doida de todo aquela bicha, e eu passei o tempo aninhada à lareira, numa conversa amena sobre as coisas de antigamente.

18.2.06

Estórias verídicas

Vou tentar ganhar ânimo e tempo, para vos ir contando umas estórias que vou ouvindo aqui e ali, algumas perdem pela falta de gestos que as acompanham, quando contadas por quem as sabe contar com mestria; ainda assim, espero que gostem pois todas se passaram realmente...

O Crasto era uma bizarma com corpanzil apreciável, que tinha uma oficina de motoretas e como era comum na altura, bebia que nem um cavalo e andava sempre bêbedo.
Mas era um desenrascado, arranjava tudo fosse peças ou não...aproveito para referir que isto se passou quase há 35 anos atrás, para que não façam alguma analogia errada.
Havia jogo de futebol com a Académica e o estádio de Coimbra estava cheio de gente e o parque, cheio de carros e motorizadas e uma V5 reluzia de estimadinha. Lá teve de ser, toca de agarrar nela e vai rumo à aldeia, que o livrete arranjava-se lá mesmo. A desgraçada andava mais em 4ª que em 5ª, o dono nunca devia meter a 5ª...
Chegados lá, toca de ir tratar de arranjar livrete, antes que a GNR lá fosse cheirar, com quem se podia falar? Com o Crasto claro, e lá fomos.
Lá chegados, fomos direitos ao assunto: Crasto, precisamos de um livrete para esta “martirizada”, isso arranja-se, responde ele, mas só se trouxeres um garrafão de vinho bom.
Meu dito meu feito, lá fomos tratar do assunto do vinho, e ele arranjou o livrete no dia seguinte.
Há tantos anos atrás, quem tinha uma motorizada era um afortunado, sobretudo nesses locais do interior; é que assim conseguiam percorrer-se todos os bailes nas terreolas em volta nos meses de verão, o que na altura era quase a única distracção para além da festa de final de ano em que se juntavam à roda da fogueira e que é ainda costume fazer-se .
Numa dessas festas em roda da fogueira, o Crasto – que se chamava Castro, mas toda a gente trocava as sílabas, estava de maus fígados com a filha e com uma bebedeira de caixão à cova e, às páginas tantas decide que vai ajudar à fogueira, que a lenha não era muita...
Vai para casa da filha e começa a acarretar, armários, louceiros, bancos e mochos e a atirar tudo para a fogueira, nem o desgraçado do fogãozito escapou...e não contente com isso ainda foi à oficina, e trouxe quadros e suspensões de motoretas, pneus e guiadores; escusado será dizer que a fogueira fartou-se de arder, mas o cheiro não era dos melhores...

17.2.06

Gostava de estar aqui


naquele silêncio, perante aquela grandiosidade!

16.2.06

Estrada de lombas



rastejo para lá da luz e dos rumores
acocorada no frio das memórias
que estremecem as mãos e o resto.
e não há flores nem maresias naquele
vazio de ondas tormentosas,
nas praias da saudade,
resta a agonia e o enjoo de mim;
uma solidão inadiável
e uma brusquidão sem fim,
que me revolve, inefável...
continuo a passear-me pelas
lombas desta estrada, à qual
costumam chamar: vida.

15.2.06

Elementar...

Genial!!!

A estupidez como Herança

O novo concurso da RTP, a Herança, tem um final assaz
divertido: o apresentador revela cinco palavras sem qualquer ligação
aparente e o concorrente "só" tem de descobrir, num curto espaço de tempo, o
termo que está relacionado com todas elas.
Mas qual é a piada, perguntam vocês. Ora, a piada está no
facto de ser impossível adivinhar o termo pretendido, tendo em conta que
as cinco "pistas" são totalmente absurdas, enganadoras e filhas-da-puta.
O pobre concorrente fica com cara de parvo a olhar para elas e,
no final, quando lhe é revelado o termo que ele deveria (por
milagre) ter acertado, solta um triste e pouco convicto "Ah, pois era". Isto
perante o riso paternalista do intragável Malato, que qualifica
esta patranha de "prova de conhecimento" e invariavelmente conforta
o pateta do concorrente com o terrivelmente cínico: "Está a ver?
Bastava pensar um bocadinho!".
Vejam, por exemplo, o que se passou ontem. Estas eram as
pretensas pistas (juro que é verdade):
Paulo
Napoleão
Paraguai
Évora
Promoção
Como podem ver, basta reflectir durante 2 minutos para
descobrir o termo certo. Não conseguem? Pensem lá mais um pouco. Como é
óbvio para uma luminária do calibre do Malato, a palavra certa só poderia
ser "Assunção". Confusos? Ora bem, como explicou o apresentador,
"Paulo" é o primeiro nome do jogador do FCP Paulo Assunção (fodasse, esta
era de caras pá e eu aqui a pensar em S. Paulo). " Napoleão" nasceu no
dia 15 de Agosto, dia de Nossa Senhora da Assunção (Tão fácil. Como é
óbvio, o concorrente deveria ter pensado "Napoleão? Ainda bem que
publiquei a semana passada a minha tese de doutoramento sobre a vida de
Napoleão.
Sei que o gajo nasceu a 15 de Agosto de 1769 às 13:30, e sendo
esse o dia da Nossa Senhora da Assunção, a resposta só pode mesmo ser
Assunção"). A terceira pista, " Paraguai", é a única que faz
sentido, sendo no entanto ofuscada pelo surrealismo das outras. "Évora"
era uma pista muito óbvia para o Malato, já que a cidade tem uma igreja
da Nossa Senhora da Assunção (não consta, no entanto, que o Paulo
Assunção ou o Napoleão tenham alguma vez lá rezado uma missa).
Por fim, " Promoção" é um dos sinónimos de "Assunção". Mais fácil
que isto era impossível.
Gosto tanto deste programa que dá cinco pistas aos nossos
leitores para descobrirem o termo subjacente:
Esquimó
Bode
Doente
Otário
Pontapé
Adivinharam? Claro que sim. A palavra certa é. "Malato"!
Ora bem, o "esquimó" é conhecido por comer muita gordura para
se aquecer e gordura é o que não falta ao Malato. Quanto a "
Bode", quem pode esquecer a barba de bode do Malato? Mais óbvio é
impossível.
"Doente" é um sinónimo de Malato (fui ver ao dicionário) e
"Otário" uma das suas características mais salientes. Por último "
Pontapé" era o que eu gostava de lhe dar naquela peida gorda (o que remete
de novo para "Esquimó"). Fodasse, mais fácil era impossível. Ou como
diria o Malato "Estão a ver? Bastava pensar um bocadinho!".

recebido via e-mail

14.2.06

Respostas ao repto de SonosCredita

Ao ser-me perguntado por 5 manias que eu tenha, só tenho a dizer que agradeço a delicadeza de pedirem só 5...

- conduzir sempre com muita atenção às bermas, para não correr o risco de atropelar animais.

- dobrar e arrumar os sacos do supermercado, cuidadosamente e arrumá-los muito direitinhos

- não consigo sair de casa sem pôr perfume (não é que cheire mal, sinto-me nua…)

- não suporto torneiras abertas sem uso, ou a pingar.

- saio de casa sem nunca me olhar ao espelho ( o que já me proporcionou alguns episódios caricatos)

13.2.06

O culto da sobranceria, ou a absoluta estupidez...




Como algumas pessoas já sabem, vivo numa casa alugada que o senhorio não quer vender, nem tampouco efectuar muitas obras que se impõem, tanto na canalização, como nas madeiras das janelas.
O sacana já perdeu duas acções de despejo, aquando da morte da minha sogra, alegando que não tínhamos direito à casa, pois não vivíamos lá nos últimos 2 anos antes da morte da senhora, o que não conseguiu provar em Tribunal, e nós conseguimos provar o contrário, e foi condenado a actualizar a renda anualmente na percentagem em vigor, o que na altura (finais dos anos 80), ainda em Escudos a renda era de 1.200$00, estando actualmente a pagar 27.94€ , por uma casa excelentemente situada e enorme, com quintal e garagem e jardim...
Calhou-nos o pior dos irmãos (eram 3 herdeiros, indianos), que ainda por cima é advogado e não precisa do dinheiro para nada, o meu vizinho do 2º andar, que é juiz reformado, comprou a casa por 13.000 contos e renovou-a toda.
O do meio que tem a mania que é de alguma casta superior, tem o ar mais desprezível e sobranceiro que se possa imaginar, pedante até dizer chega, internou a mãe num lar e usurpou-lhe a casa, que continua alugada, na qual fez obras que alteraram, inclusivamente a estrutura da casa, sem qualquer licença, mas pior que isso foi o facto de ele as fazer, com “caroqueiros”, ao fim de semana e de noite, durante 2 anos quase, andou esta alma a levar com as obras e a falta de civismo dos operários e todo o lixo e barulhos que isso acarreta.
A “coisa” ficou tão bem feita, que ao fim de um mês já eu andava com infiltrações na cozinha e casa de banho de apoio (as casas antigas tinham os aposentos da criada ao pé da cozinha, incluindo uma 2ª casa de banho), a qual começou rapidamente a ficar verde; claro que o chamei, tudo estava a empolar e a “verdejar”, sinal que haveria uma rotura na canalização no andar superior, e disse-lhe delicadamente que olhasse e tirasse a conclusão que se impunha, ao que ele me respondeu, com a maior cara de pau: que estranho, a casa de banho foi revestida a azulejo novo, eu nem sequer pintei nada de verde...
Devo dizer que emudeci, e devo ter demorado uns segundos a digerir aquilo, sem saber se desatava a rir, ou se dava um murro no boi do Minho; escusado será dizer, que nenhuma das duas, consegui conter-me e explicar-lhe que aquilo eram organismos vivos que se formam quando as condições, blá, blá, blá...
É verdade já me esquecia, esta conversa teve lugar, há aproximadamente 2 anos e nada foi feito, nem por ele , nem pelo senhorio que já viu o estado em que isto está, claro que está a piorar, como poderão constatar pelas fotos.

11.2.06

Excertos



in: Livro do Desassossego
Fernando Pessoa

A liberdade é a possibilidade de isolamento. És livre se podes afastar-te dos homens, sem que te obrigue a procurá-los a necessidade do dinheiro, ou a necessidade gregária, ou o amor, ou a glória, ou a curiosidade, que no silêncio e na solidão não podem ter alimento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo. Podes ter todas as grandezas de espirito, todas da alma: és um escravo nobre, ou um servo inteligente, não és livre...

10.2.06

Para descongelar (a pedido de várias famílias)

"estava um velho sentado
num banco sem pernas
a ler um jornal sem letras
com uns óculos sem lentes,
à luz de uma candeia apagada,
o velho dizia: Ai fé, ai fi
ai fó, ai fú, há tantos
anos que leio, e só agora
me dói o cú"

pelo exposto já se aperceberam da minha falta de inspiração, daí ter congelado o dito...

8.2.06

Temporariamente congelado



Não sei por quanto tempo, é até me passar a neura...
(o que vale é que ninguém dá pela minha falta)

7.2.06

Acho que vou congelar o Blog



Ando numa fase down, e não estou para vos maçar com as minhas tretas; vou dormir a ver se passa...

6.2.06

As mãos



Soneto a Quatro Mãos
Vinicius de Moraes / Paulo Mendes Campos

Tudo de amor que existe em mim foi dado
Tudo que fala em mim de amor foi dito
Do nada em mim o amor fez o infinito
Que por muito tornou-me escravizado.
Tão prodígo de amor fiquei coitado
Tão facil para amar fiquei proscrito
Cada voto que fiz ergueu-se em grito
Contra o meu próprio dar demasiado.
Tenho dado de amor mais que coubesse
Nesse meu pobre coração humano
Desse eterno amor meu antes não desse.
Pois se por tanto dar me fiz engano
Melhor fora que desse e recebesse
Para viver da vida o amor sem dano.

5.2.06

Almoço de colegas


Se por acaso encontrarem estes dois cromos por aí a deambular, um a citar Nuno Markl, e a cantar à fadista:" Do que Deus te livrouuu..."; e o outro de braços no ar a cantar, intercalando com: "Vá agora, todos comigo!...", e a rirem-se destemperadamente, não estranhem, ficaram assim depois do almoço de ontem, mas na segunda-feira, passa-lhes de certeza...



E foi assim, que nos juntámos 9 colegas e uma ex-colega, numa almoçarada em minha casa, uma "roupa velha", que estava boa e uma posta barrosã, assada no forno, antecedido de umas entradas, das quais a rainha, foi a receita da mana Lucialima, de um "dip" óptimo, e o vinho da sua produção. Tudo isto coroado com profiteroles com chantily e umas frutas fatiadas, para desenjoar.
Deu algum trabalho, mas valeu a pena o convívio, são pessoas assim que nos fazem aguentar o stress diário, com boa disposição e cooperação, num trabalho nem sempre fácil.
Quero agradecer a todos a sua presença, e desejar que este tenha sido o primeiro de muitos encontros cheios de boa disposição.Obrigada por terem vindo.

P.S. É verdade, já me esquecia: segunda-feira, apresento-vos a conta...

3.2.06

Ainda sobre os estranhos hábitos...




Esqueci-me completamente desta minha mania de dobrar e guardar todos os sacos, mesmo os de supermercado, que utilizo para colocar o lixo doméstico.
Então, dobro-os pelos vincos de depois a meio no sentido da altura, novamente a meio no mesmo sentido, e depois em quatro, sempre. A esta mania, eu costumo de chamar de Terapia, é como lavar loiça, enquanto o faço, não penso em nada...
por vezes até dou comigo a dobrar os sacos que vou colocar no lixo, é claro que se dou conta não continuo, mas dobrá-los e colocá-los neste pequeno recipiente, que segundo a revista deveria servir de necéssaire, é um estranho hábito, que não consigo incutir, nem à minha mulher a dias. Enfim, manias...

Mapa de Anatomia


O OLHO
O Olho é uma espécie de globo,
é um pequeno planeta
com pinturas do lado de fora.
Muitas pinturas:
azuis, verdes, amarelas.
É um globo brilhante:
parece cristal,
é como um aquário com plantas
finamente desenhadas: algas, sargaços,
miniaturas marinhas, areias, rochas, naufrágios e peixes de ouro.

Mas por dentro há outras pinturas,
que não se vêem:
umas são imagens do mundo,
outras são inventadas.

O Olho é um teatro por dentro.
E às vezes, sejam actores, sejam cenas,
e às vezes, sejam imagens, sejam ausências,
formam, no Olho, lágrimas.

Cecília Meireles

2.2.06

Estranhos hábitos



Em resposta ao repto da mana Lucialima, passo a indicar algumas manias que tenho:

- a 1ª coisa que faço ao acordar é fumar um cigarro
- passo a vida a fechar torneiras que pingam e a apagar luzes acesas
- fumo que nem um cavalo enquanto conduzo ou estou ao computador
- se embirro com alguém à 1ª vista, dificilmente mudo de opinião
- no trabalho passo dia a tentar fazer rir toda a gente, desde colegas a clientes

claro que tenho outras manias, mas para já, estas chegam...

Perigo no Parque das Nações


eu diria mesmo que com um piso tãão escorregadio, existe o perigo de cair de queixos....(agradeço que a Srª Provedora não manifeste a sua censura.Obrigada)

31.1.06

Não consigo imaginar...



Como é que daqui a um tempo, depois de uma intervenção com gosto e mestria, esta casa ficará; não tenho esse poder imaginativo, conheço pessoas que olham para estas coisas e fazem logo o retrato futuro mentalmente, eu, por mais projectos que veja e mais descrições que me façam, nunca consigo antever estas coisas, daí talvez, o maravilhar-me ao verificar os progressos, enquanto a obra avança, como aconteceu com todas as outras casas lá da quinta, e dar valor e apreciar a mestria daqueles homens, e a dedicação e perfeccionismo do empreiteiro. Cheguei à conclusão que gosto de obras, gosto de ver as coisas a evoluir, a embelezar-se a dar vida a espaços, uns moribundos, outros já completamente arruinados.
Apesar desta minha incapacidade, sei que vai ficar muito bonita, pois terá lá dentro o esforço de todos nós, junto com o bom gosto e a sobriedade.

30.1.06

Este anda assim,



Desde que lhe disseram que o Alegre ficou à frente do Soares, nas eleições. E nem o facto de passar estas noites de frio, com uns cartões a servir de casa, lhe tira aquele sorriso da cara...

29.1.06

24 horas




Com as prespectivas sombrias que os media avançavam para o fim de semana, lá fui até à Beira Alta, bem agasalhada e a contar com um cenário diferente do habitual.
Mas não, apesar de um frio cortante, típico da Serra da Estrela e de uma temperatura normal para a época, lá comemos a nossa "roupa velha", para quem não sabe, é bacalhau , batatas e couve, cozido e mexido com bastante azeite; para mim é o melhor petisco do mundo, e amanhecemos com o Colcurinho pintado de branco, bem como toda a Serra do Açor, e depois de uma manhã encoberta e fria, o sol despontou radioso e sem vento, proporcionando um excelente final de domingo. E assim neste curto período de tempo que não ultrapassou 24 horas, com dormida incluida, refazem-se as forças e retempera-se a alma, com sons de vento e o farfalhar de memórias, quase sempre gratas.
Boa semana para todos vós!!

28.1.06

Madrigal

(clique na imagem para aumentar)

Tu já tinhas um nome, e eu não sei
se eras fonte ou brisa ou mar ou flor.
Nos meus versos chamar-te-ei amor.

II
Cantas. E fica a vida suspensa.
É como se um rio cantasse:
em redor é tudo teu;
mas quando cessa o teu canto
o silêncio é todo meu.

Eugénio de Andrade

27.1.06

Bom fim de semana a todos

Como vou para a Serra, e está este rico tempo, acho que vou limitar-me a fotografar a lareira...

(cliquem na imagem para aumentar, acho este quadro fabuloso, pelas cores)

4o. Motivo da rosa


Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.


Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.


Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.


E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.

26.1.06

Masks



Eu não sei qual o segredo do sucesso, mas o segredo do fracasso é tentar agradar a toda a gente.

(Bill Cosby)

25.1.06

Despedida


Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão,
deixo o mar bravo e o céu tranquilo:
quero solidão.

Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces? - me perguntarão.
- Por não ter palavras, por não ter imagens.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.

Que procuras? - Tudo. Que desejas? - Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.

A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?

Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra...)

Cecília Meireles

Ainda sabemos cantar



Ainda sabemos cantar,

Ainda sabemos cantar,
só a nossa voz é que mudou:
somos agora mais lentos,
mais amargos,
e um novo gesto é igual ao que passou.

Um verso já não é a maravilha,
um corpo já não é a plenitude.

Eugénio de Andrade

24.1.06

Um outro olhar...


Só p’ra chatear, desta vez não me venho lamentar como sempre, e sim, para tentar ver o lado positivo das coisas, senão vejamos:

Começando pela família, é do melhor que pode haver; gente divertida, inteligente e amiga das coisas boas da vida, uma família unida quando é preciso, onde toda a gente ser quer verdadeiramente bem, e não como vejo à minha volta, só sorrisos falsos e invejas atrofiadas, maus fígados e falta de humildade.

Tenho um marido que me ama e o demonstra há já muitos anos, não me chateia, não me trata mal, é divertido e bondoso, e apesar de adorar “gaijas”, sei que se alguma “marchar”, não será por amor, concerteza...e tampouco é assunto que preencha os meus pensamentos, ou me cause inquietação. Contra muito boa gente que passa a vida a revistar os bolsos e os papéis do marido, e a ver se há batôn nos colarinhos, e à primeira piscadela de olho e promessas de compreensão, do seu sofrimento e angústia...abrem-se todas, na procura do prazer que se lembram vagamente que existe...

Tenho uma casa mais ou menos grande, e a sorte de ter uma renda inferior a 30€, tenho jardim, quintal e garagem no centro da cidade e duas cadelas que me enchem de mimo, ao ponto de eu achar que todo aquele que lhes dou, nunca será nem um “cagagésimo” do que elas me dão. Contrariamente a quem vive nos subúrbios a pagar rendas impensáveis, por verdadeiros tugúrios.

Tenho muito trabalho todos os dias, e ainda bem, pois se não o tivesse, poderia ser sinal de que a breve trecho, seria mais um número na estatística do desemprego.
Tenho uns colegas de trabalho 5 estrelas, um trabalho com um salário de 600€ e tal, um patrão que ainda dá bolo rei no Natal, e amêndoas na Páscoa e um premiozito anual ao pessoal, e boas condições técnicas de trabalho, e anda quase sempre com um sorriso e a brincar. Há por aí muitos ambientes de trabalho de “cortar à faca”, patrões que andam com uma cara sempre parecida com uma bota da tropa, rotinas de dar em autómato, e salários de miséria.

Tenho a sorte de ter um refúgio de fim de semana, verdadeiramente paradisíaco e acolhedor, a poucos Km daqui, onde desabafo com a minha melhor amiga e ouço os seus conselhos, embora nem sempre os siga, sabendo que todos os meus queixumes são por coisas tão mínimas, ao pé dos que ela teve durante a vida, mas dá-me força para ser digna de ser sua filha, e cada dia que passa faz-me sentir mais e mais orgulho, de ela ser minha mãe.

E, finalmente, eu até tenho um Blog....e há amizades feitas aqui, há gozo puro, ou simplesmente alegria e boa disposição; vem cá gente em passeio por este universo da blogosfera, ou vêm os “habituées”, nem que seja para dar uma descasca, ou simplesmente para dizer: bom dia!

Portanto estão a ver, eu até sou uma criatura feliz.....

23.1.06

Excentricidades



Canção Excêntrica

Ando à procura de espaço
para o desenho da vida.
Em números me embaraço
e perco sempre a medida.

Se penso encontrar saída,
em vez de abrir um compasso,
projecto-me num abraço
e gero uma despedida.
Se volto sobre o meu passo,
é já distância perdida.

Meu coração, coisa de aço
começa a achar um cansaço
esta procura de espaço
para o desenho da vida.

Já por exausta e descrida
não me animo a um breve traço:
- saudosa do que não faço,
- do que faço, arrependida.

Cecília Meireles

As mãos


As mãos
Que tristeza tão inútil essas mãos
que nem sempre são flores
que se dêem:
abertas são apenas abandono,
fechadas são pálpebras imensas
carregadas de sono

22.1.06

Crónica dos sábados


Como é que alguém se pode sentir vivo, e senhor da sua vontade, quando automaticamente cria rotinas, e age como um autómato?
Sábado de manhã, acordas à hora do costume, e o máximo que consegues estar na cama, é meia hora a mais que o normal; levantas-te, banhito e tal, preparas a roupa para a lavandaria, recolhes as pilhas usadas e coloca-las na carteira, sais de casa e aprecias o frescor da manhã de Inverno, e o quase vazio das Ruas e Praças, e só te apetecia continuar a conduzir rumo à beira mar, e sentir-te livre, mas não...vais direita ao café tomar o pequeno almoço, tudo cronometrado, às 9h até às 9.15h, depois vais ao hipermercado às mercolas, como diz a mana, e às 10h estás a colocar as compras no carro, e a tirar os sacos para deixar na lavandaria que abre a essa hora, tudo cronometrado e sem relógio, pois é o tempo necessário para fazer o indispensável, ao ponto da empregada da lavandaria perguntar no gozo, se eu vou fiscalizar a hora de abertura(???!!!) trazes a roupa que lá ficou há uma semana, metes-te no carro, a caminho de casa, paras na bomba e metes gasolina para a semana toda, chispas para casa por causa dos congelados, descarregas as compras, arruma-las e aspiras o carro a correr,antes que o vizinho de cima apareça para tirar o carro dele da garagem, sais e procuras um lugar para estacionar na rua, acabas por deixá-lo num estacionamento proibido e voltas para casa para pôr a roupa a lavar e apanhar a que está estendida, e sempre a espreitar pela janela a ver se já há lugar...enfim um lugarzito. Tens de correr e ir mudar o carro de sítio, antes que apareça algum dos clientes da clínica em frente, ou algum médico com o seu SLK, ou BMW Série 6, e abanque lá todo o dia .
Voltas para casa, a tempo de ir coser uma roupita antes de fazer o almoço, ligas o PC e verificas que ninguém apareceu no blog, como é normal, e deixa-lo em stand by a contar voltar mais tarde; entretanto fazes o almoço e nos entretantos, vais limpar e arrumar o mais premente, e almoças...
A seguir dá-te um cansaço extremo e vais dormir a sesta, logo a seguir a verificar novamente que ninguém te visitou nem comentou o blog. Já passou a tarde e não te apetece levantar da cama para voltar à cozinha; no entanto, o “sentido do dever” impede-te de lá ficar; lá vais como uma sonâmbula, preparar mais comida e fazer café para uns dias (não tens dessas modernices de expressos), tentas inovar um pouco e varias o arroz e o molho das costeletas e tudo te sabe a déjà vu ; depois de jantar é o mesmo, louça na máquina, os homens a ver o Mundial de Snooker e ao mesmo tempo o Sporting- qualquer coisa...e vão comentando lances que não percebes bem a que jogo se referem se não mencionarem os nomes, ou quando gritam: penalty!!!!!aí sabes que não é snooker...
Vens uns minutos ao computador, e ao fim de 5 min. Já te perguntam: estás a blogar?, só sabes blogar...olha que é preciso ter lata! Mas como respondes à letra ( vai pró c***, não estavas a ver a Eurosport?), fica tudo resolvido, na boa!...
Vais buscar um copo de vinho (do bom; pois, a vida é demasiado curta, para se beber mau vinho...) e sentas-te a tentar escrever algo profundo e inovador, e sai-te esta merda....mas pelo menos ouves o primeiro álbum dos Genesis, “ Trespass” e depois o 1º a seguir à saída do Peter Gabriel, “And then there were three”, e a alma preenche-se de sons magníficos e vagueias pelas palavras e pelas notas, e deixas-te ir, e continuas com “Communiqué” dos Dire Straits e ficas por aqui a ouvir a música e a escrever baboseiras, enquanto os homens vêem o snooker, e tu pensas em desaparecer qual Mandrake....

21.1.06

Como pedir genéricos

NOMES DE GENÉRICOS CUJO CONHECIMENTO É MUITO ÚTIL, QUANDO SE AVIAM NA FARMÁCIA
MARCA DO MEDICAMENTO OU AFIM GENÉRICO CORRESPONDENTE

ACTIVAROL- PRAMEMÓRIA
AGIOLAX- PRACAGAR
ASPIRINA- PRÁTOLA
BENUROM- PRÁTOSSE
BUSCOPAM- PRÁSDORES
CÊGRIPE- PRÓVIRUS
COLGATE- PRÓSDENTES
COZAAR- PRÁTENSÃO
GERPROCT- PRÓCU
ILVICO- PRÓESPIRRO
KOMPENSAM- PRÁZIA
LAURODERME- PRÓSTOMATES
NASEX- PRÁPENCA
REUMON GEL- PRÓCARUNCHO
SALTRATOS- PROSPÉS
SORO- PRÁVEIA
TAMPAX- PRÁRATA
TANTUM VERDE- PRÁBOCA
VALIUM- PROÓÓ
VIAGRA- PRÓTESÃO
XANAX- PRÓSTRESS

19.1.06

Nada de confusões...

Numa favela, dia de sol, calor infernal. Três homens entram num barraco pequeno, quente e húmido, arrastando um rapaz magrinho e franzino pelos braços. Lá dentro, o Djalmão, um negrão enorme, muito suado, fedendo, cara de enjoado, palito no canto da boca, limpando as unhas com um facão de cortar côco. Um dos homens diz:
- Djalmão, o chefe mandou você comer o cú desse cara aí... Disse que é para ele aprender a não se meter a valente com o pessoal da favela.
A vítima grita de desespero e implora por perdão. Mas o Djalma apenas rosna, ignorando os lamentos do homem:
- Pode deixar ele aí no cantinho, que eu cuido dele daqui a pouco. Quando o pessoal sai o rapaz diz:
- Sr. Djalmão por favor, não faz isso comigo não. Me deixa ir embora, eu não digo p'ra ninguém que o senhor me deixou ir sem punição... Djalmão diz:
- Cala a boca e fica quieto aí ! Cinco minutos depois, chegam mais dois homens, arrastando um outro:
- O chefe mandou você cortar as duas mãos e furar os olhos desse elemento. É para ele aprender a não tocar no dinheiro do chefe. Djalmão com voz grave:
- Deixa ele aí no cantinho que eu já resolvo. Pouco depois chegam os mesmos homens, arrastando outro pobre coitado:
- Djalmão, o chefe disse que é p'ra cortar o bilau desse cara aqui, p'ra ele aprender a nunca mais se meter com a mulher do chefe. Ah... e ele falou ainda que é p'ra você cortar a língua e todos os dedos dele para não haver mais a possibilidade de ele bolinar nenhuma mulher da favela! Djalmão com voz mais grave ainda:
- Já resolvo isso. Bota ele ali no cantinho junto com os outros. Aí, o primeiro rapaz entregue aos cuidados do Djalmão diz em voz baixa:
- Seu Djalmão, com todo respeito, só p'ró senhor não se confundir: o do cú sou eu, 'tá ?

18.1.06

Machismos da Língua Portuguesa


A sociedade feminina portuguesa queixa-se do tratamento
machista existente na gramática portuguesa. E tem razão. Seguem-se
alguns exemplos:

Cão = melhor amigo do homem
Cadela = puta

Vagabundo = homem que não trabalha
Vagabunda = puta

Touro = homem forte
Vaca = puta

Aventureiro = homem que se arrisca, viajante, desbravador
Aventureira = puta

Menino de rua = menino pobre, que vive na rua
Menina de rua = puta

Homem da vida = pessoa letrado pela sabedoria adquirida ao longo
da vida
Mulher da vida = puta

Puto = miudo
Puta = puta

Até amanhã pissoali, e durmam para o lado certo...

17.1.06

E tornou a dar-lhe...



Já estou farta de andar
A saltar de crise, em crise;
Isto tem de terminar,
Ou não me chame: Ivette Marise.

Que merda de vida esta
Que nunca mais vai ao lugar
Se hoje é dia de festa,
Amanhã, é só chorar

Ando por aqui aos tombos
Ao sabor da tempestade
O que restará nos escombros,
Alguma vida, ou só saudade?

Tenho saudades da vida,
Outras vezes de coisa alguma,
Mas dói-me sempre esta ferida,
Apesar de não se ver nenhuma...

Se não fosse a companhia
De vocês, que são porreiros
Não sei o que aconteceria
A estes meus versos foleiros.

Ficavam num qualquer canto,
A mofar, como os demais,
Abafados no escuro manto,
Dos esquecimentos banais.

Foi mais um desabafo meu,
Neste canto de conveniência
Quem até aqui já leu,
Já lhe gabo a paciência.

Não façam caso de mim
Nem das minhas agonias,
Isto é porque eu sou assim,
Como o Bartolomeu, que tem Dias...

Já ‘tou a perder a gana
Até estou com ar de mono
Eu vou mas é para a cama,
Que isto deve ser é sono...

Crimes


Quem passeia por esse país fora, sobretudo pelo interior, pelas Beiras ou pelo Litoral Centro e Norte de Portugal, já se deparou com certeza com a ruína iminente de muitas casas abandonadas, cuja imponência e fulgor, há muito desapareceram, ou vão lentamente desistindo da luta contra os elementos, e deixam-se invadir pela flora e fauna, que a devoram com a lentidão de quem degusta um petisco...
Em muitas cidades, vai existindo o mesmo abandono criminoso, que, não deixando lugar à natureza, simplesmente as demole de uma vez, poupando-as talvez, digo eu, ao lento agonizar, claudicando frente aos elementos.
Gosto especialmente de Art Déco e Art Noveau, e adoro admirar os pormenores de algumas casas, mesmo cá em Coimbra, que ladeiam as janelas, com magníficas cantarias, e reportando-nos a uma Era, onde existia “Tempo”. Havia tempo para criar e apreciar estas e outras obras, os azulejos mais elaborados que a mão humana conseguisse criar, criar-se-iam, e adornariam claustros e pátios, bordejados de fontes e arbustos...não estou a tirar valor à Arquitectura Moderna, nem aos grandes, como o Siza, também aprecio essas obras, mas deixam-me sempre um pequeno vazio, que só estas lindas varandas e fachadas, conseguem preencher; é uma admiração de um estilo e, ao mesmo tempo, uma nostalgia antecipada pela degradação de um património inestimável, e que não creio que não venha a ser engolido pela “modernidade”.

16.1.06

A importância do "não sei"


Se ainda não sabes qual é a tua verdadeira vocação, imagina a seguinte cena:

Estás a olhar pela janela, não há nada de especial no céu, somente algumas nuvens aqui e ali... aí chega alguém que também não tem nada para fazer e pergunta: - Será que vai chover hoje?

Se responderes "com certeza..." - a tua área é Vendas: - o pessoal de Vendas é o único que tem sempre a certeza de tudo.

Se a resposta for "sei lá, estou a pensar noutra coisa..." - então a tua área é Marketing: - o pessoal de Marketing está sempre a pensar naquilo em que os outros não estão a pensar.

Se responderes "sim, há uma boa probabilidade..." - És da área de Engenharia: - o pessoal da Engenharia está sempre disposto a transformar o universo em números.

Se a resposta for "depende..." - nasceste para Recursos Humanos: - uma área em que qualquer facto estará sempre na dependência de outros factores.

Se responderes "ah, a meteorologia diz que não..." - Então és da área de Contabilidade: o pessoal da Contabilidade confia mais nos dados no que nos próprios olhos.

Se a resposta for "sei lá, mas por via das dúvidas eu trouxe um guarda-chuva": - então o teu lugar é na área Financeira que deve estar sempre bem preparada para qualquer mudança de tempo.

Agora, se responderes "não sei"... há uma boa chance de teres uma carreira de sucesso e chegares a director da empresa.

De cada 100 pessoas, só uma tem a coragem de responder "não sei" quando não sabe. Os outros 99 acham sempre que precisam de ter uma resposta pronta, seja ela qual for, para qualquer situação. Não sei é sempre uma resposta que economiza o tempo de toda a gente e predispõe os envolvidos a conseguir dados mais concretos antes de uma tomada de decisão.

Parece simples, mas responder "não sei" é uma das coisas mais difíceis de se aprender na vida corporativa. Por quê? Eu, sinceramente, "não sei".

MAX GEHRINGER

13.1.06

Só para mulheres com garra!


SÓ PARA MULHERES FENOMENAIS

Tem sempre presente que a pele se enruga, o cabelo embranquece, os dias
convertem-se em anos...
Mas o que é mais importante não muda.
A tua força e convicção não tem idade.
O teu espírito é como qualquer teia de aranha.
Atrás de cada linha de chegada, há uma de partida.
Atrás de cada conquista, vem um novo desafio.
Enquanto estiveres viva, sente-te viva.
Se sentes saudades do que fazias, volta a fazê-lo.
Não vivas de fotografias amarelecidas...
Continua, quando todos esperam que desistas.
Não deixes que enferruje o ferro que existe em ti.
Faz com que em vez de pena, te tenham respeito.
Quando não conseguires correr através dos anos, Trota
Quando não consigas trotar, caminha.
Quando não consigas caminhar, usa uma bengala.
Mas nunca te detenhas!!!.
Madre Teresa de Calcutá

12.1.06

Dessecuberta

dessecubri que o binho é uma esselente musa...bócês num calculão a inspirassom que medá, editar postes aofim de trez penaltes...embora 3/4 setenham intorrrnado no teclado, mas cumo o gaijé bounhe, cunti nua a fonceminar...
acunselho bibamente ós desins pirados, a exprimentçoum da noba prof..porf...porfiloquecia cuntra a extagn-açoum da idayas...

é porcizo inobar...

P.S. E olhemc'as bírgulas tão lá todiiiinhas....

Surpresa!!!!


Apesar do Penso estar farto de blogs estúpidos e sem qualquer interesse (como o meu diga-se), e embora ele seja demasiado cavalheiro para o afirmar, cá vou eu contar também um facto que para a maioria de vós não terá qualquer relevância, devendo até ser apelidada de : Private joke.
Hoje o meu afilhado veio de Vilamoura, e está aos poucos a trazer as coisas da casa dele para cá, pois vai viver connosco uns tempos até encontrar casa e vender o T1 que lá tem, num sítio muito agradável diga-se, e novo e em condomínio fechado (isto foi um aparte, se alguém estiver interessado, é só dizer). Começou por trazer algumas coisas essenciais, e tal, como um aquecedor, pois a minha casa de tão grande que é e sem aquecimento, torna-se algo fria, por ser quase não habitada, e aquecimento central para 10 divisões, mais um corredor e marquise, não há orçamento que aguente...e trouxe alguns objectos de uso pessoal e uma prenda para mim, que ainda não consegui fechar a boca desde que ele chegou: uma Nikon 6006, com objectiva de 300mm, semi-profissional e tudo e mais alguma coisa, com uma maleta própria e todos os líquidos para limpeza das lentes e manutenção da dita.
Juntamente com os pertences, viu que tinha coisas no frigorífico e trouxe-as para o desligar, e diz-me ele muito contente: ó madrinha, trouxe uma coisa que gosto muito de cozinhar, para não se estragar...
- O que é? Perguntei
- É uma courgette que lá tinha, gostas?
- Uma quê?!!!???? Não posso crer...
- Tenho de chamar a Luna, respondi
- Desculpa???......
- Não ligues...e desatei a rir à gargalhada....

Escusado será dizer que encorpei a ideia de louca que ele tem de mim, mas como somos amigos isso não importa, até fortalece o “conbíbio”...e lá ficou ele coitado, sem a mínima ideia de quem seria a Luna, e que raio teria ela a ver com o facto, de ele ter trazido uma courgette, e isso me tivesse feito rir tanto...

11.1.06

Gostei da foto...


...e lembrei-me de um livro que há já uns anos não faço ideia onde pára, chamado "Órgão de Luzes", do Gastão Cruz, e deste poema que recordo, e me ficou na memória como tantos outros de outros autores, de tanto os ler e reler na biblioteca em virtude não os poder comprar.

Estou sentado no tempo
não perturbes o caos que me constrói
afasta a tua mão,
das pálpebras molhadas
debaixo delas, passa
a água das imagens...

Bô nôte!!!!

10.1.06

Querem ver que esta merda é crónica????



Eu explico: ao folhear velhos livros de poesia, encontrei um do Álvaro Manuel Machado, chamado "Íntimo Rigor", que pauta por uma poesia do tipo:
"Dor"
Fruto amarelo
crescendo.

e pronto; e no espaço destas páginas em branco, eu tinha a mania de escrever, o que eu apelidava de poemas, estávamos no ano da Graça de 1991, e foi terrível encontrar o que passo a transcrever:
"LUGARES"
Revisitar os lugares da memória
composta de tudo o que nos trouxe
mais dor, ou simplesmente, mais
uma visita ao espelho baço do desespêro.
Que recordações nos ficam ainda,
para lá da dor e do tempo?
para lá das paisagens percorridas,
com olhos apressados em preencher
um vazio quase patológico,
por entre folhas e folhas de memória?...
que nos resta, senão a múltipla viagem
pelos escombros do passado?
Que buscaremos aí? Uma imagem perdida,
ou a procura inocente
de uma ternura adiada?
E pelas rugas do rosto se passeiam
as horas infinitas, as páginas
dos dias vazios...

19 Outubro, 1991

Assusta-me ter a consciência que escrevi isto há 15 anos atrás, e não sei concretamente ao que me referia. Seria à mesma insatisfação de agora? Não creio; mas o que me assusta é ser repetitivamente frustrada, e sobretudo: Uma chata do caraças...