1.5.06

Para concluir


(ainda o livro Companhia Violenta)

Tanto o ciclo, como o próprio desenho. Este desenho, como outros de que já falei, é mais um da galeria dos inacabados aos quais raramente consigo voltar para concluir, mas quando existe um tema, como é o caso, torna-se possível viajarmos de novo para a sensação que aquelas palavras continuam a ter em nós, pelo menos comigo acontece assim. Como já tenho o livro há quase 26 anos e não o considero ainda terminado em termos de ilustrações, vamos ver quantos anos mais demorarei a terminá-lo, se é que tal vai um dia acontecer, pois cá para mim, hei-de ter a idade da minha mãe e continuarei a lê-lo, deleitando-me com cada frase e escolhendo cada traço cuidadosamente, para não o poluir com a minha arte menor.
Boa semana para todos!!

30.4.06

Parabéns querida mãe


Pelos seus 77 anos cheios de vida, pela capacidade de sofrimento e sacrifício e por tudo o que nos conseguiu proporcionar com tanto esforço e abnegação.
Obrigada por ser um exemplo de humildade e apesar das vicissitudes, nunca nos ter transmitido sentimentos de raiva ou de revolta, pois a vida encarregou-se disso. Gostava que a vida não tivesse sido tão madrasta para si, mas sei que todas nós tentaremos compensar as nossas faltas e retribuir todo o amor e carinho com que sempre nos brindou.Parabéns!!

29.4.06

paisagem árida


Outros traços, neste caso, no livro Íntimo Rigor de Álvaro Manuel Machado.

28.4.06

Desafio

(clique no título) Vejam pelo menos no site, os antes e depois, por favor!

Na sequência de um desafio para divulgar uma instituição de solidariedade à minha escolha, lançado pelo rui-son deste Blog, que gosto de visitar e como eu não sei fazer aquelas coisas de copiar os logotipos, vai ter que ser com o link do site em questão.
A minha escolha é baseada no acompanhamento que fiz do percurso de uma das fundadoras, que sempre revelou um amor incondicional pelos animais, estando anteriormente ligada aos Animais da Quinta, antes de se ter tornado uma Associação.
São jovens estudantes universitárias que partilham o esforço e o amor que estes animais abandonados merecem, há anos que contríbuo monetáriamente para diversas Associações e divulgando os seus apelos, mas esta merece-me um carinho particular e apesar de ter recebido já inúmeros convites para uma visita, a vida ainda não o permitiu, mas continuo sempre a acompanhar o esforço, a abnegação e a luta que eles travam diáriamente, contra a indiferença, o abandono ou a maldade pura e simples do género humano. Tomei conhecimento de estórias de violência atrozes, de actos de barbárie de tal envergadura, que me interroguei muitas vezes de que mente tão retorcida teriam saído. Tenho duas cadelas como alguns de vós sabeis, uma resgatada da rua e a outra, retirada no último instante, da morte certa a que a haviam votado, hoje sei que foi assim, se não a tivesse trazido e tratado, teria morrido nessa semana, sofre de Leishmaniose visceral que quando não tratada é mortal, dolorosamente mortal, e para o evitar basta um comprimido diário para o ácido úrico, boa alimentação e pouco stress físico, apesar de não ter cura, com este paliativo ela tem uma vida normal e cheia de alegria, aprendeu a brincar e a receber e dar carinhos, que, se nos fazem tanta falta a nós, por que razão acham que os animais não lhe sentem a falta?
Agradeço a quem puder, que divulgue este site e não tenha receio de ajudar, pois tudo o que for doado, podem ter a certeza que chegará ao destino certo. Gostaria de continuar este desafio, deixando o repto à mana e à gorda. Graças à Wind, lá consegui colocar os links, obrigada pela dica.

No tempo das vacas gordas


Quem conhece bem, ou vive ou já viveu em Coimbra, sabe que um dos meeting points mais conhecidos é a Praça da República, onde convergem várias ruas e a Avenida Sá da Bandeira , fica muito perto das Faculdades e da animação nocturna ou diurna e também das cantinas mais concorridas da Universidade.
A Praça (como é simplesmente chamada pelos autóctones), parece uma cratera aberta no meio da cidade, pois ela é plana e todas as ruas em seu redor são bastante inclinadas, sobretudo em direcção aos Arcos do Jardim, à rua de Tomar ou em direcção à Cruz de Celas, cuja rua vemos imagem e tem o nome de Lourenço Almeida Azevedo.
Como foi acontecendo noutras cidades, os eléctricos foram sendo retirados e substituídos por autocarros, mas a minha juventude foi passada em contacto estreito com eles, tão estreito que por vezes viajava pendurada, como via os miúdos fazer e volta e meia: pumba!! Lá mandava um “terno”, pois ainda não tinha aquela perícia que eles tinham de saltar em andamento, quando o revisor começava a gesticular lá dentro, direito à parte de trás, para correr connosco.
O meu marido como é 7 anos mais velho que eu, teve uma vivência ainda mais intensa da cidade, pois essa diferença que agora quase não se nota, naqueles tempos era muito grande de ano para ano, fosse pela intensidade do tráfego ou pelas velhas relíquias e hábitos da cidade, que iam sendo alterados. Ele pertencia àquilo que era uma elite na altura, constituída pelo pessoal que tinha uma mota ou motorizada, ainda por cima, tinha (e tem) uma perícia em duas rodas, muito difícil de igualar e esse facto (além de outros que agora não vêm ao caso),tornou-o muito popular.
Os amigos dele mais chegados até tinham motas melhores e mais potentes, mas faltavam-lhes as “mãozinhas” para as levar ao limite e arriscar como ele; alguns anos mais tarde na Honda 175 Scrambler, venci com ele – como pendura, claro – alguns despiques nas ruas mais movimentadas e difíceis, contra uma Kawasaki 750 de um amigo que era o que mais tentava imitar-lhe as maluqueiras, nas rectas ficávamos para trás, mas apanhávamo-lo sempre nas curvas, que muitas vezes se faziam com a roda de trás assente no passeio e os joelhos rente ao chão.
A malta mais nova queria era despiques, corridas, fugas ao “Baby Face” que era o Polícia de mota, de “estimação” do pessoal racing, pois era o único que se dava ao trabalho de os perseguir, pelo menos até se porem a subir quaisquer escadas que encontrassem, nessa altura desistia, pois a mota era muito baixa e optava por esperar o meu marido à porta de casa para lhe dar mais uma descasca.
Os putos mais novos, para se tentarem integrar no grupo, volta e meia apareciam com bidons cheios de gasolina que tinham roubado de alguns carros, para a oferecerem ao pessoal das motas e claro que eles não se faziam rogados, mas por vezes era tanta, que nem sabiam o que lhe haviam de fazer, nessa altura, inventavam...
Esta rua era percorrida em ambos os sentidos por eléctricos, que à noite eram muito menos frequentes e de madrugada, quase não havia trânsito, só mesmo o pessoal que saía do ETC. que era a única Boite da cidade, e que ficava mais ao menos ao cimo desta rua; numa dessas noites em que sobrou gasolina e estavam sem saber o que fazer, lembraram-se de quê? De deitar a gasolina nos carris lá ao cimo, junto às escadas do Liceu D. João III (agora José Falcão), deixá-la chegar à Praça ou quase e então, deitar-lhe o fogo...
Imaginem esta rua de noite, com quatro linhas paralelas a arder por ali abaixo, eu não cheguei a ver, mas diz quem viu que foi digno de nota e só foi pena, naquela altura ninguém ter máquina fotográfica para que ficasse para a posteridade.

27.4.06

As três Fadas



A verdadeira e única história das três FADAS!!
Certo dia, a professora pediu a toda a turma para inventar uma história. Depois de todos os colegas lerem a sua composição, chega a vez do Carlinhos, que começa assim:

- "Vou contar a história das três fadas:
Era uma vez uma prinsusa..."
Nisto a professora interrompe e diz:
"É princesa que se diz e não prinsusa!"
- "Não Sra professora, nesta história é mesmo prinsusa."
E continua:
- "Era uma vez uma prinsusa, que vivia suzinha na turre do seu castalho e estava traste, muito traste por estar suzinha. Resolve então enviar um bilhuto a um prinsusu que também vivia suzinho na turre do seu castalho.

Escreveu muitos bilhutos até que um dia o prinsusu agarrou no seu cavalo e cavinhou, cavinhou, cavinhou pela florista até chegar ao castalho da prinsusa.

Quando chegou à purta do castalho da prinsusa dá-lhe um pintapu e a purta cai.
Sobe a correr até à turre da prinsusa, arrebenta com a purta do quarto da prinsusa, ele olha para ela..., ela olha para ele..., ele olha para ela e....

Dá-lhe três fadas!!!"

25.4.06

Sentido de humor


(depois daquela factura, apesar de difícil, é imperativo mantê-lo)
Se há coisa que aprecio na generalidade das pessoas, é o sentido de humor. Para mim é das qualidades mais importantes no carácter de alguém, seja nas relações de trabalho, seja nas de amizade ou simples conhecimento circunstancial.
Se é importante nesses casos, então na relação mais íntima que temos, ou seja, com a pessoa que escolhemos para partilhar todos os acordares despenteada e de olhos inchados, que partilha connosco as angústias e as dificuldades, essa qualidade é para mim indispensável. O meu marido tem um sentido de humor multifacetado, que me agrada particularmente, ora é refinado ou satírico, ora é irónico e mordaz, fartamo-nos de rir os dois sozinhos cá em casa, nem tenho coragem para vos contar um décimo daquilo que escarnecemos, fazemos filmes completamente desastrosos, dignos do melhor de Mel Brooks e rimo-nos até às lágrimas...
Dizia-lhe eu há pouco ao jantar,que foi roupa velha e que acompanhámos com um Quinta da Alorna, branco muito fresquinho :
- deixa-me beber mais um copo para me inspirar.
- Bebe, bebe para ficares inteligente...
- Que julgas tu? Por acaso até me saem melhor os textos que escrevo, quando acompanhados de um copinho de vinho, só tem é de ser bom e obviamente só à noite, nunca durante o dia.
- Falo a sério, disse ele, hás-de ir comigo ali à Carapinheira a casa de um cliente, que ele tem lá um vinho que ele diz tornar as pessoas inteligentes, devido ao elevado grau. Outro dia bebi lá um “martelo” a frio, ao fim do dia, que até perdi o norte...
- Ficaste “zoiro” foi?
- Nãão!! Fiquei foi inteligente, começaram os dois neurónios a funcionar e...
- Os dois ao mesmo tempo? Perguntei.
- Sim, vê lá o turbilhão que se gerou, os dois ali a funcionar à bruta e comecei a ficar cheio de ideias.
- ‘tou a ver, tens de ter cuidado antes que fiques completamente obnubilado, imagina o meu único, como não ficaria ao provar semelhante “pomada”...
E desatamos a rir à gargalhada que até as cadelas vieram ver o que se passava. Aos meus ex-colegas fazia confusão, como estamos juntos há tantos anos, sem ter filhos nem nada que nos faça desanuviar um do outro, claro que nem tudo são rosas, mas acho que encontrámos um equilíbrio fácil e digerimos todas as vicissitudes, mesmo as mais pesadas que sofremos juntos, ou separados. Não existem ressentimentos nem assuntos mal resolvidos, já se falou de tudo o que havia para falar, agora é tempo de se falar só do necessário ou do que nos deleita, os silêncios não incomodam, acho que nunca incomodaram. É tempo de fruir todos os momentos felizes que se nos deparam, ou então construí-los nós mesmos.

Surpresas


Como todos sabem, nem todas as surpresas são necessáriamente boas.
As pessoas vão adquirindo rotinas, por vezes estranhas como é o caso do correio cá em casa: eu nunca vou à caixa ver o correio, pois sei que o meu marido quando chega a casa é a primeira coisa que faz, embora nunca abra as cartas que chegam, mesmo as que lhe são endereçadas, deixando para mim essa parte, como sou eu que trato da organização dos documentos nas respectivas pastas. Ontem, como cheguei por volta das 22h depois de um dia de experimentação na sequência da resposta a um anúncio, estava cansadíssima, pois passei toda a tarde "a dar ao chinelo" até às 21h e só queria uma sopa e descanso...no entanto, como a EDP só envia correspondência acerca da facturação uma vez por ano, dado pagarmos por débito em conta a estimativa que é feita para todo o ano; fiquei curiosa com a única carta que estava na mesinha da entrada proveniente da EDP, à qual eu havia comunicado a leitura do contador em Janeiro, pois não me recordo de o fazer a maior parte das vezes. Ainda bem que comi a sopita primeiro, senão não o teria feito após a abertura da carta, em virtude do seu teor.
Nada mais, nada menos que a actualização da mensalidade e a respectiva regularização, ou seja : 801,28€ a pagar em 4 de Maio...eu não tenho sorte nenhuma; nem sequer me apercebi há quanto tempo não enviava a leitura, mas acho que desde 2004 e agora, como costumava dizer um amigo meu que já faleceu:"toma lá cria malvada, que já lombaste".
Que isto sirva de lição, tanto a mim, como a quem como eu se esquece frequentemente destas coisas, às vezes pequenos pormenores trazem grandes surpresas.Já agora, bom feriado para todos e VIVA A LIBERDADE!!

24.4.06

Vamos ver...




Como hoje só cá pude vir de manhã e o blogger estava mal disposto e não me deixou editar, após um dia de experimentação na sequência da resposta a um anúncio, sem história que se preze, a não ser que a conclusão é óbvia: não interessa!
Venho agora tentar editar algo, e como são 10 da noite e acabei de chegar com os pés a latejar (olha, versejei), não me ocorre mais nada a não ser deixar-vos mais duas das minhas ilustrações, do meu livro preferido.Beijinhos e até amanhã.

23.4.06

Lista de Preferências

A minha querida amiga Elipse deixou-me um desafio, ao qual não poderia deixar de aderir, embora depois de tudo o que já foi dito, a minha abordagem vá parecer algo pueril e sem a mínima qualidade. Pretende-se rimar com as palavras deixadas por Brecht, todas elas cheias de conteúdo mas de rima difícil para alguém como eu, mas cá vai:

Lista de Preferências (Bertold Brecht)

Alegrias: todas tão fugidias

Dores: têm sempre os seus valores

Casos: vidas sem prazos

Conselhos: deveriam ser nossos espelhos

Meninas: a alegria num rosto traquinas

Mulheres: ainda não mostraram todos os seus poderes

Orgasmos: o apogeu dos entusiasmos

Ódios: seguem nos próximos episódios

Domicílios: onde o conforto nos traz auxílios

Adeuses
: gestos que não rimam...

Artes
: são dos eleitos, os seus estandartes

Professores
: com eles se aprendem valores

Prazeres: a vida não vale, se não os tiveres

Projectos: escolha entre múltiplos trajectos

Inimigos: são na vida, os nossos castigos

Amigos
: quando a alma dói, são nossos abrigos

Cor: é a luz nos olhos de quem sente amor

Meses: alguns parecem maiores que anos, por vezes

Elementos
: são desta vida os ornamentos

Divindades
: já não tenho; nem saudades....

Vida: tantas vezes perseguida

Morte
: não passa de um meio de transporte.

Não passo o desafio a ninguém, pois a quem gostaria de passar não tem disponibilidade nesta fase.

22.4.06

Companhia violenta


Por várias vezes vos tenho deixado aqui, poesia de Vitor Matos e Sá que venho retirando de um livro de poemas inéditos editado em 1980 a título póstumo, pois o seu autor faleceu em 1975. Este livro acompanha-me quase desde essa altura e vá para onde for, tenho de o levar como se fosse uma parte de mim.
Como gosto de desenhar, em todos estes anos tenho vindo a colori-lo com alguns desenhos meus, nada de especial, só para me dar ainda mais prazer lê-lo, apesar de saber muitos poemas de cor.
Para já fica este exemplo, mais tarde mostrar-vos-ei outros. Desejo a todos um excelente fim de semana.

21.4.06

Corte de cabelo do ano


Olhem que deste, nem a Lúcia Piloto se lembrou...já agora: Bom fim de semana, pessoal!!

19.4.06

Ocaso



OCASO

Oh, se a tarde pudesse esperar
Que do meu peito se soltassem as aves
E os meus braços se desenvencilhassem
De todos estes ramos e raízes,
Se pudesse esperar que sacudisse as folhas
Que me cobrem e me inclinasse
Para escorrer as águas dos meus olhos.
Espera um pouco, deixa-me ajeitar
Os brincos de princesa que me pendem
das orelhas; deixa que o vento me penteie,
para podermos então dar as mãos
e correr, deixando um rasto de mil cores
rumo ao horizonte...

Ivamarle, 19.04.06

18.4.06

Liberatura II


A Srª Provedora que me perdoe mais um "testamento", mas como o próprio título indica, este até é um manifesto minúsculo; e acredita que deu mais trabalho a transcrever do que dará a ler, embora seja um pouco longo é mais um exemplo da dita publicação que já referi, é só para fechar o ciclo.

manifesto minúsculo anti – MAIÚSCULAS

vivam as minúsculas. abaixo as maiúsculas. arte de fato e gravata, cheirinho a naftalina, passeio higiénico ao domingo, brilho encerado nas salas dos museus e caganitas de pombas nos monumentos nacionais.
abaixo a arte engravatada e a gravata e as maiúsculas.
abaixo. abaixo. abaixo.
a arte penteadinha, risco ao meio nas ideias, afadiga-se em perpetuar os falsos valores e alimenta-se de batatas e apadrinha o chato e rumina regras de pacotilha e cospe máximas e cola estéticas na Imutabilidade Racional Inútil.
a arte das maiúsculas é farinácea. bacalhau quer alho. batatas pedem azeite.
abaixo esta arte de merceeiros e vendilhões comercializados. abaixo o mofo das gramáticas e o bolor da arte em pó. limpem o país destas moscas que saltitam de mesa em mesa emborcando café e discutindo a colocação das vírgulas.
as maiúsculas são feias. abaixo as maiúsculas.
as maiúsculas são o escarro da decência a inspiração dos estéreis um furúnculo de cérebros primariopilosos o cancro da arte pela arte o diagnóstico para cadáveres.
as maiúsculas são a sonolência dos romancinhos ligeiros o sustento das fotonovelas pesadas o tricôt da viúvas servido entre o chá e as torradas os fofos passatempos de solteironas beatas. as maiúsculas são a escuridão da humanidade e a penumbra dos imbecis. o amor nos romances escreve-se com maiúscula. abaixo as maiúsculas. abaixo.
deus escreve-se com maiúscula. pátria escreve-se com maiúscula. família escreve-se com maiúscula. e deus copulou a pátria e a pátria pariu a família e a família é filha da maiúscula. abaixo os prostíbulos. abaixo.
os aspirantes as ídolos perfumam-se com maiúsculas e masturbam-se nas orações papagueadas dos clássicos e enfeitam-se com os laçarotes coloridos das enciclopédias e bebem na sanita do saber escolástico e refugiam-se na miopia do passado e transpiram, cansados, os restos putrefactos do saber caduco. abaixo as maiúsculas. abaixo.
as maiúsculas são o A de Autoridade o B da Burocracia e o C de Castidade o D das Divindades o E da Escola o F do Formalismo o G da Gramática o H da Hipocrisia o I da Ignorância o J da “Justiça” o L do Lirismo o M dos Mitos o N de Nuclear o O da Obediência o P de Poder o R de Repressão o S de Sistema o T de Torturatrabalho o U de Uniformizar e o V de Vernáculo o X de Xenofobia o Z de Zelo. as maiúsculas são dos maiúsculos. fora com as maiúsculas. fora.
as minúsculas são a de audácia b de baca c de gargalhada d de d e de zaratustra f de copulacensurada g de gato h de hahahaha i da imaginação j de já l de liberatura m de boi n de não o de recusa p de porra q de bagaço r de revolução s de subversão t de preguiça u de umbigo v de venham-se x de achim e z de etc.
as minúsculas são divertidas. vivam a minúsculas. vivam.
as minúsculas não vão à escola são imorais e desatentas não são servidas entre os brindes dos banquetes, arrotam sem pedir licença e não se curvam perante as nacionais – bandeiras; borrifam-se nos adiposos tecidos dos ventres maiúsculos e nunca dizem passou-bem nem fazem mesuras às botas hierárquicas.
as minúsculas são livres. vivam as minúsculas.
entre uma maiúscula e uma minúscula coixnistênxia possível. façamos cócegas nos sapatos das maiúsculas para que chorem e se afoguem nas lágrimas. que pereçam. que faleçam. que apodreçam. que se empanturrem nas palavras obscenas que abominam e rejeitam com um nãometoques patético. que tenham cópulascensuradas. que tenham insónias. que tenham vómitos. mas que parem com a diarreia e acabem com os clisteres.
vivam as minúsculas. vivam.

a. pedro correia
joão j. ferreira da silva
mário f. Da costa
vitor manuel de melo
(in: Liberatura; Abril 1979)

17.4.06

Liberatura




Corria o ano de 1979, estava eu em plena adolescência e tinha aquela sede de coisas novas, diferentes ou simplesmente: à margem do que se chama hoje “politicamente correcto”. Sobretudo na poesia, procurava escritas alternativas, amadoras ou não; em Coimbra nessa altura, surgiu uma publicação da qual só conheço os nºs 1 e 2 e penso que mais nenhum terá sido editado. Parece uma sebenta, chamava-se “Liberatura” tem poesia e textos escritos à máquina por diversos autores, entre eles A. Pedro Correia de quem vos deixo este poema que se chama: “Estória seguida de noite” do qual eu sempre gostei muito, não é dos mais “alternativos”, mas gostei das palavras. Desta publicação, não eram só os textos que eram diferentes, mas também a maneira de os apresentar, como poderão ver pela imagem, daí esta publicação ser considerada na altura, do mais radical que existia.

Acordou um dia já vestido de resolução.
Fixou um sorriso novo no rosto e saiu.
Partia, disse-me, porque queria beber a vida até à última gota.
Partia porque aqui sempre foi perto, disse. Sempre foi pouco.
Partia, disse-me, porque o arco-íris não acaba aqui e queria pendurar-lhe o sorriso novo. No vermelho, penso.
Continuou, partindo sempre, até gastar o sorriso e acordar nú, já muito bêbedo de vida.
Não aguentou a ressaca. Suicidou-se.

A. Pedro Correia

Para começar bem a semana


E ainda dizem que as mulheres têm um raciocínio "retorcido"....

14.4.06

Páscoa Feliz


Embora o tempo pareça não estar a ajudar, desejo a todos uma Páscoa florida e cheia de sol nos vossos corações.

13.4.06

Surpresa!!!!!



Hoje tive uma ilustre visita surpresa aqui em casa, nada mais nada menos que: O Tio Vivi! É verdade, esse velhadas arranjou tempo e disposição, entre a artrite e as espondilite anquilosante, para me fazer uma visita ao vivo e a cores. Teve alguma dificuldade com a bengala, mas como é r/ch não se cansou muito.
convidei-o para uma foto, mas disse não ter feito a barba e nem tinha penteado os 8 cabelos em condições, enfim, desculpas...então lá tirámos uma foto aos nossos blogs, para ficar para a posteridade.
Apesar de ter sido breve, gostei muito da visita pois ele ainda não se baba muito para cima do teclado, só as arteroses é que não o deixam teclar muito depressa.
Muitos beijos Tio e obrigada pela visita, tens de voltar para almoçar, eu prometo que faço algo que não te custe mastigar com os teus 3 dentes. Beijos!!

12.4.06

Adeus tristeza

(foto:Nuno Marques)

Foram-se os vários tons de cinza do Inverno, a nudez das árvores e o cheiro a água sobre o molhado e tudo foi substituído por tons de luz, por ondas de cor, com o azul céu como tom de fundo.
A solidão plúmbea dos dias, foi inundada de chilreios e esvoaçares afanosos em redor dos ninhos e em cada canto nasce nova vida. A quietude das neblinas matinais, foi substituída por um sol radioso que convida ao ócio ao ar livre; até que caia de novo a primeira folha e uma rajada de vento agreste, nos fustigue de novo o rosto.
O Inverno nunca me deixa saudades, incomoda-me a quantidade de roupa que temos de usar para nos aquecermos, incomoda-me o ar macambúzio das pessoas e a falta de cheiros agradáveis, penso que é sobretudo a falta de cheiros que me faz deprimir assim nessa altura; agora no meu quintal as rolas e melros esvoaçam contentes, cheira a flor de laranjeira, a frésias e eu...eu sinto em sintonia com eles, a verdadeira paz...

É isto que acontece

Quando a criatividade está nas ruas da amargura, até uma velha piada de "corno" serve...

No meio de um julgamento, pergunta o Juiz:
- O senhor chegou a casa mais cedo e encontrou a sua mulher na cama
com outro homem?
- Correcto, meritíssimo - diz o réu de cabeça baixa.
Continua o juiz:
- O senhor pegou na sua arma e deu um tiro na sua mulher, matando-a na hora?
- Correcto, meritíssimo - repete o réu.
- E por que o senhor atirou nela e não no amante dela?
O réu responde:
- Senhor Juiz ... Me pareceu mais sensato matar uma mulher, uma única vez, do que um homem diferente todos os dias.
Foi absolvido na hora!
Corno, porém sensato ! ! !